Verifica Entrevista | Leia na íntegra a entrevista com o Padre Vicente Palotti Zorzo sobre comunidades locais em momentos de crise climática

Nos dias 17 e 18 de novembro, o destaque é a gestão planetária e comunitária, com ênfase em florestas, oceanos e biodiversidade, e na valorização de povos indígenas, comunidades locais e tradicionais, juventudes e pequenos e médios empreendedores. No Verifica Entrevista, seguimos comprometidos em conectar essas discussões globais à realidade climática dos gaúchos, traduzindo debates complexos em caminhos possíveis para o território.

Na COP30, os Dias Temáticos funcionam como um chamado internacional para transformar experiências e dados em respostas urgentes à crise climática. Em Belém, cada sessão busca reduzir a distância entre negociações diplomáticas e impactos cotidianos, criando um ambiente onde implementação, equidade e urgência convergem. Alinhados aos seis eixos da Agenda de Ação — que abrangem energia, indústria, transporte, florestas, oceanos, biodiversidade, sistemas alimentares, cidades, infraestrutura, água, desenvolvimento humano e questões transversais — esses dias evidenciam prioridades estratégicas definidas pela presidência da Conferência.

Entrevista com Padre Vicente Palotti Zorzo


O Verifica RS entrevistou Padre Vicente Palotti Zorzo, SJ, que é natural de Cerro Largo (RS). Atualmente, coordena o Centro Social Fé e Alegria (RS), administra a Paróquia Santíssima Trindade, na Vila Farrapos, em Porto Alegre, e atua como delegado para saúde dos jesuítas do Brasil. A entrevista abordou o papel das comunidades locais e das comunidades vulneráveis em momentos de crise climática.

Pergunta: Na sua experiência, qual é a habilidade mais urgente que os líderes de comunidades no Rio Grande do Sul precisam desenvolver hoje para garantir que a informação verificada chegue e seja transformada em ação de segurança durante eventos extremos?

Vivemos um momento sociopolítico muito complexo. Temos, atualmente, tendência para governos máximos e estados mínimos. Com isso, as instituições sérias vão perdendo espaço e credibilidade. A desinformação e a falta de dados científicos dificultam soluções precisas e levam a erros que deixarão sérias consequências no futuro.

Agregar lideranças e construir um projeto coletivo que leve em conta o bem de todos e todas é um desafio dantesco. O negacionismo ganha cada vez mais espaço e muitas conquistas históricas são desconsideradas. Precisamos de canais de comunicação lúcidos e que prezem pela verdade.

Pergunta: Em momentos de falha institucional, a Força Social e a coesão se tornam cruciais. De que forma o senhor viu os laços de vizinhança e a ajuda mútua se transformarem na principal ferramenta de sobrevivência e recuperação?

O Rio Grande do Sul aprendeu uma grande lição. No momento mais difícil da sua história, o Brasil deu-lhe todo apoio. A solidariedade dos outros estados foi fundamental para a recuperação. Isso inspirou e motivou muitas pessoas a dedicarem um pouco do seu tempo para ajudar quem mais precisava.

O voluntariado aumentou e aproximou as pessoas. Percebo que temos muitas pessoas que precisam e muitas que querem ajudar, mas faltam instituições que façam a ponte. O que me impressiona é o fato de que muitas pessoas têm receio em repassar ajudas para órgãos governamentais por duvidarem das retas intenções dos políticos. Isso é preocupante.

Pergunta: O tema da nossa entrevista é um ponto importante na pauta da COP30. Do seu ponto de vista, que mensagem específica as pessoas que vivem na linha de frente das enchentes e atuam em união às comunidades vulneráveis gostariam que fosse levada ao debate global da Conferência?

A Conferência deve ter a ousadia de afirmar que o aquecimento do planeta e a exploração da natureza foram além do que se esperava e que o meio ambiente será cada vez mais agressivo para os seres humanos. O aumento das calamidades e pandemias será exponencial. A humanidade não pode ser refém dos interesses de grupos econômicos que promovem a destruição que estamos vendo e permitir que políticos que representam esses grupos continuem fazendo o que estão fazendo. Preservar a natureza, fomentar uma economia solidária e apoiar iniciativas locais e internacionais é um caminho factível e urgente.

Sobre o Verifica RS


Fundado em maio de 2024, o Verifica RS é uma rede de jornalistas, pesquisadores e comunicadores que atua na propagação de conteúdo verificado sobre enchentes e a crise climática no Rio Grande do Sul.